
Desde a criação dos tipos móveis, que foram responsáveis pelo desaparecimento dos escribas da idade média e, também, pela cópia e divulgação muito mais eficaz de livros e jornais, o aparecimento de novos meios de comunicação passou a ser visto com receio. Como se o novo fosse sempre se sobrepor ao mais velho e causar seu desaparecimento. Foi assim com o rádio, com a televisão e, mais recentemente, com a internet. Mas cada meio de comunicação busca formas e estratégias para uma adaptação cada vez mais eficaz. Com o jornal impresso isso não é diferente.
De acordo com o jornalista e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Manuel Dutra, o jornal impresso está passando por uma situação de estresse diante dessas novas tecnologias da informação: “O fenômeno não é totalmente novo. A televisão e o rádio já vinham furando o impresso, só que de uma forma mais lenta que a internet... O que é novo é o excesso, o volume, a rapidez, a globalidade desse ambiente.”
Então, o que o jornal impresso tem a nos dizer a cada 24 h, já que essas 24 h já estão todas cobertas pelos ambientes digitais? “Olhando a internet e olhando o impresso hoje, não podemos separar uma coisa da outra”, afirma o professor Manuel Dutra. Mesmo sendo coisas distintas, não estão separadas. Estão entrelaçadas e isso pode ser comprovado na produção do texto que vai para o papel, que é feito no ambiente digital. O grande desafio do impresso hoje vai além disto, porque a internet deixa de ser uma mera ferramenta para ser um novo modo de dizer e de mostrar.
“O produto impresso continua da forma tradicional, folhas de papel impressas que você vai virando com a mão, lambendo a ponta do dedo... Mas como produto, ele foi produzido também dentro de um ambiente digitalizado. Então, a lógica do digital está permeando o impresso... O desafio do jornalismo impresso está na linguagem a ser adotada por ele”, explica o professor.
Alternativas
Há uma espécie de consenso no meio científico de que o impresso, para sobreviver, tem que dar ênfase a duas vertentes de textos, de conjuntos informativos. Primeiro: a interpretação, a reflexão sobre aquilo que já foi dito nas últimas 24 h e que o jornal não vai dar porque não é mais novidade. Um jornalismo eminentemente interpretativo que reflita, que explique, que interprete: “Isso está começando a ser o novo jornalismo e um novo jornalismo, obviamente, vai exigir um novo jornalista... Um jornalista capaz de interpretar, e quem interpreta é alguém que tem cultura geral, que é bem informado e que é capaz de ajudar o leitor a formar o seu próprio juízo sobre os acontecimentos.”, afirma o professor.
Uma outra alternativa é a matéria exclusiva. Aquilo que nenhuma mídia noticiou. Entretanto, segundo Manuel Dutra, isso exige muito e não só do jornalista: “a empresa terá que ter jornalistas de tempo integral, bem pagos, bem preparados, que possam elaborar pautas, observar os acontecimentos e encontrar nesses acontecimentos uma angulação totalmente nova.”
Por: Andéa Neves e Gleici Correa
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